quinta-feira, 31 de outubro de 2019

?Que Coisa É Essa

dos sonhos que não me são
dos lugares que eu não
dos meus amores em vão


se o que já foi,
logo recomeça...
se é amor,
então, pra que ter tanta pressa (?)
deixa a coisa encaixar!


pra que brigar
por coisa que não interessa.
amar não é brincadeira,
mas, também, não é coisa séria
que não se pode brincar no amar...

terça-feira, 29 de outubro de 2019

cumulonimbus

Cúmulos-nimbos
Do cimo dos céus
Véus que cobrem

Tempestades
Sem blandícias
Como se fossem açoites
Com o peso de bigorna
Vêm varrendo quaisquer tempos
(raios, relâmpagos e trovões)
Os deuses estão em fúria
Sopram os ventos
Com tanta falta de doçura
Tristes lágrimas cairão


(sobre a fotografia de Leandro Selister - temporal em Porto Alegre, 29.10.2019)

domingo, 27 de outubro de 2019

Um Lugar Comum

um muro que não lamenta
uma rua que se segue
uma calçada cheia de pétalas-flores

adormece a cor violeta

um lugar comum
entre verdes árvores
entra ano e sai ano
todos os poemas em um
seja bem-vindo aos bons ares
pois são coisas do cotidiano


uma paisagem que não se inventa
é assim a realidade da mãe natureza
às vezes de tão rápida é a beleza
que permanece num sonho em câmera lenta


(sobre imagem fotográfica de Leandro Selister/Coisas do Cotidiano - Lugar Comum)
UM POEMA EM SEU OLHAR
(samba)

eu sempre pensei,
que pra ser um grande poeta
era preciso ler livros à beça
mas, me enganei,
quando você entrou naquela festa
foi, então, que me deslumbrei
sem rima, sem conversa,
apenas imaginei
no brilho do seu olhar
a beleza mais sincera
e a leveza de amor e paz.


é... foi, assim, com essa certeza,
que você me trouxe a forma mais bela ,
pra não ter que fazer um poema às pressas
e sentir que o tempo é capaz de mostrar,
o caminho pra encontrar, as palavras certas
que nascem de um sentimento profundo,
tão fundo que se possa alcançar.
é... é só ter que acreditar
naquilo que nasce da alma
e que o coração possa declamar,
a leveza mais sincera que está em seu olhar.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019


04
******
bom fim
é apenas uma passagem,
para triste cidade.

realidade que não se apaga...
se há verdade na imagem,
por mais que o cão não ladra,
ela late.
mas, a sorte está lançada,
pra quem acredita
na loteria da vida.
e, pra quem acha
que é tudo uma mentira,
então, é como a sobrevida,
apenas mais uma passagem.
(noite e dia - manhã e tarde)
e quem se importa?
quem te viu e quem te vê!
não há bilhete premiado
ao acaso... nem há resposta
(é como um tiro no destino)
ninguém sabe do futuro
(ninguém está preparado)
pois, o que está exposto,
(não é falso. é fato.)
é mais um corpo pedindo socorro,
será a alma de número 04,
nesse momento exato?
******

(sobre a fotografia de Leandro Selister/Tristicidade)

domingo, 13 de outubro de 2019

banho de caneca

um viagem para algum lugar
(Floresta Amazônica).
uma história pra se contar

(antigamente era corpo e alma).
copos e bacias... banho na beira.
rios, córregos e lagoas.
e, hoje em dia (?)
é ,tão, atual e verdadeira,
Amazônia de um passado partido,
de um paraíso perdido...
um Eldorado de ouro maciço
(uma nação de povos destruídos).
mas, ainda há tantas saídas
entre as espessas árvores
das alturas impossíveis.
mas, ainda há os sonhos das crianças
livres e felizes,
se divertindo em seus lares,
sentindo pequenas porções d'água
que purificam, peles sensíveis.
é como, tudo, se fosse, numa doce brincadeira
às margens que margeiam,
as lembranças de uma vida inteira.


(sobre a fotografia de Dulce Helfer - exposição fotográfica: Amazônia Tão Perto, Tão Longe.em Centro Regional de Cultura de Rio Pardo)

domingo, 6 de outubro de 2019

ÀS VÉSPERAS DA MINHA PÓS GUERRA

por quanto tempo
eu vou ficar na dúvida (?)
se pra atravessar a rua
é, preciso, dar o primeiro passo...
pode parecer leve
mas, se há peso na mente,
o sonho deixa de ser
sonhado.


por quanto tempo
eu vou ficar na certeza (?)
...já nem olho para os lados
pois, acredito na natural beleza
dos loucos.
sinto muito, mas tudo o que é absurdo
faz parte da alma humana.
sinto muito por ser tão individual.


por quanto tempo
a liberdade, me permitirá
duvidar de mim mesmo,
com tanta certeza,
dessa minha existência
sincera e apaixonada...

por quanto tempo,
por quanto tempo,
não vou duvidar de nada.
CORTANDO O MAL PELA RAIZ

eu pouco sei
do que eu já sabia
não tinha a vez
nem tinha o que eu queria
fazer de conta
que está tudo bem
fazer da guerra
o que não se faz
amor e paz
então vem
e me diz que sou capaz
de viver sem ninguém
me dizendo que o menos é mais


até quando eu vou me enganar
como antigamente
se o novo sempre vem
e muda todos que estão na frente
que estão sem tempo pra mudar
a vida vem e passa tão de pressa
como a luz pela fresta
como num piscar de olhar
então nem pense pensar lentamente
pra não ficar olhando pra trás
quem sabe quem saberá
do dia de amanhã
eu pouco sei