domingo, 29 de janeiro de 2023

POR QUE SOU A MINHA PRESA

POR QUE SOU A MINHA PRESA


Por que me expresso

Se nada confesso

A vida inteira


Não há no poema

O conhecimento

Da minha real ilusão


Por que me perco

Implorando perdão

Aos sete ventos


Pois nada me leva no sopro

Tão forte como um beijo

Que implora por paixão


Por que eu mereço

Me prender ao coração

A que preço


Somente o meu sentimento

Revela em segredos

Coisas em vão


E que de tão espessos

Permanecem acampados

Na minha imaginação


Por que me expresso

Se nada confesso

Até que desfaleço 


No verso

É que me esqueço

Do resto do resto do resto


sbs

A Contemplação

 A Contemplação


Das flores

O sentimento

Dos desejos

A imensidão

Do céu

As estrelas

Da noite

A escuridão


E os versos

Que transbordam

Na luz da razão

À procura de um invento

Na loucura do coração


E os versos

Que ainda restam

Se completam

Na solidão

Às claras de um amor confesso


E que de certo

É tão incerto

Pois é a pura 

Imaginação 

É como contemplar

O universo

E só alcançar

O que está tão perto de uma doce ilusão


sbs

Yanomami

Yanomami e a ameaça cega dos brancos


O INÍCIO:


E, é assim como eu me sinto,

Como um menino prodígio,

Como um anjo divino,

Como um  filho de Deus.


Sou eu

A ameaça cega

E branca


O MEIO:


Malditos brancos predadores

Destruindo a terra-floresta

Ameaçando o povo Yanomami


Rios contaminados,

Árvores no chão,

E animais mortos

Na contínua e permanente depredação.


E quem não se esquece...

Quem são os ateus,

Os sem almas e os hereges (?)

Adeus, adeus


E, é assim como eu sou?

Espírito maligno?

Vida sem cor?

Coroa de espinho?


Destruindo os povos nativos,

Os Xamãs e os Espíritos.

Por que tanto desamor?


E mais uma vez

A ameaça cega dos brancos,

Estranjeiros, viajantes,

Soldados e garimpeiros.


E mais outra vez

Constroem as suas moradas,

Igrejas das pedras petrificadas,

Séculos e séculos com forças armadas.


Missionários e invasores,

Pesquisadores sem nomes,

Em nome da ciência e de Deus

Colhem frutos, folhas e flores.


FIM


E, é assim a nossa língua:

Sanöma, ninam, yanomam

Yaroamë, yãnoma, yanomami.


E quem sou eu (?)

Identificado como homem branco

Humano é o que sou?


sbs

sábado, 28 de janeiro de 2023

Coração

Coração


O coração

Um dia é mole 

E, às vezes, 

Se derrete em vão.

Outro dia é duro 

Como metal,

Forjado a marretada 

Para ficar maleável.


sbs