sexta-feira, 3 de setembro de 2021

 Perdeu o juízo Achou o louco

Aponta o revólver
Calibre 38
Pra têmpora
Engatilha o cão
E logo se ouve o som
Do disparo
Um projétil feito de papel
Contém impresso um pequeno verso
Cheio de palavras que causam impacto
Palavras que destroem os neurônios
Palavras que arrebentam os sonhos
E calam a mente do mentecapto

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

 ANDO TÃO VAGO

tão doce
como um beijo-poema
que lambe os versos
e derrete as estrelas
tão belo
como uma lua cheia
que ilumina a minha alma
e a minha vida inteira
tão suave
como um céu diáfano
que me deixa transparente
e desocupado

 DELICADEZA FODIDA

fodam-se meus queridos amigos
trago-lhes perfumadas rosas
em uma coroa pra todo o finito
fodam-se meus gentis senhores
e não me digam que me amam
pois amar é algo tão difícil
fodam-se meus eternos conhecidos
tão próximos como todos os inimigos
e tão falsos como os desconhecidos
fodam-se meus amores perdidos
achei demais e me encontrei num abismo
será que é por isso que digo tudo isso?

 miseráveis besteiras

usam das minhas palavras
pra depois jogarem em mim
como miseráveis besteiras
junto tudo isso pra transformar
em belas e coloridas borboletas
é o que sinto pra uma vida inteira
mal sabem eles que vivo disso
de jogar conversa fora
e de viver pela minha entrega
é o que sinto pra uma vida inteira
como miseráveis besteiras
é a vontade das minhas palavras

 fome de cão

meus pensamentos coloridos
navegam pelas memórias
e desembarcam em imagens
primitivas que me devoram

 MAUS ESPÍRITOS

Pegou fogo no paraíso.
Todos em chamas.
No fim,
Não sobrou nenhum...
A gárgula que vigiava de cima
Da igreja gótica,
Subitamente,
Sobrevoou no escuro da noite...
Ela jamais dormia
E estava sempre de olho...
Mas, desta vez, se permitiu a outros encantos.
E anjos caídos elevaram às alturas do templo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

 O CRIADOR DE LEÕES

(matando um leão por dia)
A criatura come os meus sonhos
De louco eu só tenho os meus demônios
A minha vida não tem testemunha
Eu mesmo é que declaro a minha culpa
E faço justiça condenando a consciência
Essa é a liberdade que mais me aprisiona
Não sou de lavar as mãos nem de dar a outra face
Mas quando elas sangram não há disfarces
Meu nome pouco me identifica
E nunca está na lista de quem lucra
O que de fato me estimula nessa vida
É ter a certeza que não haverá outra pior ainda