sábado, 30 de junho de 2018

Sofá


Qualquer incômodo
Que se possa sentir
Ao ver um cômodo
No seu ir e vir
Não se sinta deslocado...


O lugar
Que se escolhe
Para morar
É o que acolhe
À quem não tem lar...

 
Deitar na cama sem cobertores
E passar frio
Sentar no sofá pra aliviar as dores
É como sentir o fio
Da navalha...

 
...se não vai mudar
Então nem venha me incomodar
Aqui ainda é o meu lugar próprio
Nem tente me tirar
Pois não quero mais um adversário


(sobre a fotografia de pau_cala - Tristicidade)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

QUEM OS VIRAM?
NUNCA MAIS VIRÃO...


A cada dia dilaceram
O meu coração
A cada dia retalham
Os meus sentimentos
A cada dia rasgam
A minha carne
A cada dia difamam
A minha imagem
A cada dia cortam
Os meus pulsos
A cada dia acabam
Com as minhas ideias
A cada dia me transformam
Em ninguém
A cada dia me sufocam
Com tantas mãos
A cada dia calam
As minhas palavras
A cada dia me causam
Muitos ferimentos
A cada dia violentam
A minha vida
A cada dia anunciam
A minha morte
A cada dia ferem
A minha alma



a cada dia
eles são enganados
por caminharem
na minha
contramão

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Ponto de Vista
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Qual é o PanOramA?
Pra direita ou pra esquerda ou central?
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O que faz bem ou o que faz mal?
Capitalismo ou Comunismo?
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Quem pode questionar tudo isso?
Eu estou certo e você está errado?
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Ou vice-versa?
Qual é o ponto de vista?
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Tudo o que se consegue ver
Está tão próximo ou tão distante?
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Ou nada está ao alcance dos olhos...
Ou será apenas uma sensação esperançosa (?)
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Ainda se pode mudar os destinos.
Ainda se pode deixar de existir.
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Essas figuras que são humanas
Com suas espessuras e dimensões,
Não são objetos tridimensionais
Em uma superfície.
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Essas figuras que são humanas,
Não têm aspectos superficiais,
Nem são projetos de nossas ilusões...
São olhares reais.
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À primeira vista é o que nos choca
Mas, depois se torna parte da paisagem
E cada transeunte com a sua ótica...
Ou será algum defeito em nossa óptica?
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Tudo o que se consegue ver
Nessa cidade PanOramA,
Está ao alcance de nosso olhar
E nada é tão belo..
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Nada muda para essas vidas.
Essa vida imunda...
Parece que tudo anda ao longe,
Tão distante de quem sobrevive nas ruas.
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(sobre a fotografia de Leandro Selister - Tristicidade)

sábado, 23 de junho de 2018

EM TODOS OS LUGARES NAS GRANDES CIDADES
A vida a cada dia nos impacta...
A cada dia nos transformamos
E, novamente, acreditamos...
Acreditamos que melhores dias virão.

As oportunidades são efêmeras...
A efemeridade faz parte do nosso dia a dia
Pois, as chances são mínimas.
E, é tão lancinante para aqueles que vivem nas calçadas.

O descaso nos causa a agonia
E a sua permanência se torna tão próximo de nós.
Fazendo parte das coisas do cotidiano.
Tanto faz como tanto fez...

O que será que resta?
Uma cidade, um olhar e a tristeza...
Mas, mesmo assim, é preciso acreditar
Na compaixão...

Assim, como Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho,
Em sua vida, sofreu terríveis preconceitos.
Mas, foi resiliente...
Tornou-se um grande escultor de todos os tempos!

As vidas dos moradores de rua
Têm que mudar,
Não há mais espaço para essa falta de cuidado,
Dessa hipócrita invisibilidade aos olhos da sociedade.
(sobre a fotografia de Leandro Selister - Tristicidade)




sexta-feira, 22 de junho de 2018

O AMOR É UMA ARTE
QUE NÃO É FÁCIL DE SE APRENDER.



amor é...
é para as canções,
é para os poemas.
amor é febril,
amor é consciente.
amor que dá vontade
de conquistar sonhos diferentes...


amor
eu te odeio,
assim como te tenho...
amor lancinante,
tão próximo,
tão distante.
amor cheio de sorte...


amor
que foge de mim,
que me cobre,
que chega e que parte,
que disfarça,
que me enche de graça,
que causa a desordem...


amor é...
é porto seguro,
é no fim do túnel.
amor de plenilúnio,
amor sem rumo.
sentimento que não se define
em vão...

quarta-feira, 20 de junho de 2018

2018.

Uma década, já, se passou
E eu ainda continuo começando
E, recomeçando tudo outra vez...
Essas noites têm sido, tão, frias
E as tardes me lembram de outros dias...
Mas, não consigo me recordar facilmente
Das minhas farsas... dos meus disfarces...
Acredito, até, que nada mudou
Ainda amo e odeio, ao mesmo tempo,
A mim mesmo...

Uma década atrás
O que me fazia bem
Era o mesmo mal
Que vai e que vem...
Eu sei que é assim,
Tantas perdas,
Tantos ganhos,
Tantas feridas,
Tantos sonhos,
Mas, ainda estou tanto lúcido como louco...


Uma Década Atrás

O vento que sopra,
Nesse fim de tarde,
Leve e suave,
Torna-se marcante,
Ainda mais com a luz
Que cobre o horizonte.


Me sinto bem, assim...
Um caminho ainda a seguir
Um carinho ao meu aguardo
Me sinto bem, sozinho...
E mesmo, agora, parado
Continuo viajando!


Não me imagino
Daqui a uma década...
Acredito no aqui e agora.
Mas, às vezes, me pego
Pensando com os anjos...
...meus erros e acertos.