domingo, 1 de janeiro de 2017

MARGINALIZAÇÃO
Eu
me acordei
marginal 
achando algo
que define a definição
do meu eu: língua de trapo
Não há nada...
nada de tão complicado
pra se dizer em especial...
É que, nem tudo
é tão sofisticado
quanto a simplicidade
de ser normal...
Eu
me acordei
do outro lado
da margem
falando de mim mesmo...
...um louco
um delinquente
que rouba 100 palavras
(sem palavras)
que mata a gramática
discordando da concordância
e dos amores perfeitos
que sequestra vidas
enganando-as
só para dizer o que não sou (?)
que estupra ideologias
normas éticas e morais
(os bons costumes)
Eu me acordei
criando horror...
...com aversão a algo
no extremo
no limite
falando mal
?que bem maior é este?
Eu me acordei
escrevendo coisas...
...coisas da mente
(de mente, demente)
tudo inesperadamente
à beira do espaço
enredado num laço
(livremente)
Eu me acordei
do outro lado
às margens do rio
depois do mergulho
profundo...
nas páginas do livro
no meio da tribo
tão longe de tudo
tão perto do nada
Eu
me acordei
à margem da consciência
...consciente da loucura do mundo
Eu
me acordei
como se fosse um fora da lei
um plebeu entre os reis
Eu
me acordei
no centro da exclusão
da realidade humana
...

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