domingo, 1 de janeiro de 2017
POÈTE MAUDIT
sinto muito em te dizer,
ser idiota,
Jesus Cristo não voltará.
esqueça a fé
e saia por esta porta.
o inferno é um bom lugar
pra se viver,
entre os ratos e as cobras,
se na vida
nada mais te importa...
sinto-me bem
em saber
da vaidosa vaidade
desse mundo
que é o mesmo teu,
cheio de caras hipócritas...
...línguas de trapos
e bocas tortas,
que se alimentam
da raiz imunda
que nos consome.
sinto em te dizer esse nome
que nos invade...
...que nos divide
em mil partes.
essa crença cheia de bondade.
esse espelho vazio de imagem.
tudo em nome de Deus...
...em nome do amor
( sobrenome: efêmera eternidade)
Mas, tu sabes que somos ateus (?)
sinto apego
sinto disfarce
sinto medo
sinto a face
(sinto-me cego, surdo e mudo)
sinto a falta de verdades,
sobre a inquisição (?)
sobre os novos cristãos (?)
? quais são as realidades
e sobre a escravidão,
Santa Sé ?
sinto em te dizer
meu irmão,
é preciso um novo mundo,
uma nova Arca de Noé...
esqueça a luz
que ainda o teu vermelho ditador
te conduz.
ele vive mergulhado em tuas entranhas,
enquanto a vida se prende na sanha...
às portas do paraíso.
sinto tudo o que não passa
e o que perpassa
são sacrilégios e sacrifícios.
todas as almas, feridas,
estão vendidas...
...vamos nos abraçar
no Apocalipse da Bíblia.
ouça-me ser idiota,
o pavilhão das bruxas
arde como sempre
como o diabo em nossas mentes...
sinto tanto por tão pouco.
fogueiras e calabouços,
são como as chamas
que nos prendem e
que nunca se apagarão...
arde como sempre
como o anjo em nossas mentes...
é que o tribunal de contas mata pra julgar
os hereges, os sábios, os crentes...
E os Poetas Malditos jamais irão se calar.
sinto em te dizer o que sinto,
enquanto os sublimes viverem no Olimpo,
eu estarei neste limbo,
preso na câmara dos tormentos,
cheio de vazios pensamentos,
velhacas e vadias ideias...
é o meu Santo Ofício,
viver livre neste desterro...
um único enterro, sem artifícios,
nem blasfêmias, nem blandícias...
Pátria Amada, estou no exílio do meu espírito...
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